Após uma sequência de quatro filmes excelentes, e um que deixou muito a desejar, Pedro Almodóvar parecer ter voltado à boa forma, e fez um dos melhores filmes de 2011.
Considerado o diretor espanhol mais famoso desde Luis Buñuel, Almodóvar construiu, ao longo de sua carreira, uma filmografia repleta de obras-primas, cheias de elementos que nos faz identificar qualquer de seus filmes logo na primeira cena. Curiosamente, o que vemos em “A Pele Que Habito” (2011), é um de seus filmes mais ousados, corajosos e perturbadores.
A história gira em torno de Robert (Antonio Banderas), um famoso cirurgião plástico que mantém uma mulher como refém de seu experimento, desenvolvendo e testando um novo tipo de pele sintética, muito mais resistente que a humana. Assistindo ao filme, nota-se que não há muito mais o que dizer, sem estragar todos os mistérios que o cercam.
A premissa parece muito mais a de um filme de terror trash do que uma obra-prima de Almodóvar. Mas é justamente sua técnica e estilo requintado que não permitem que o longa caia na primeira opção, chegando bem perto do limiar. Tudo o que adoramos em seus filmes continua presente, exceto pelas famosas “cores de Almodóvar”, que aqui aparecem em tons bem mais sóbrios na maior parte do filme. A fotografia de José Luis Alcaine continua sendo um dos pontos altos do filme, aliada à sempre acertiva montagem de José Salcedo, que consegue entregar o ritmo certo ao enredo delicado, que poderia se tornar facilmente cansativo.
Rodado em Toledo, na Espanha, “A Pele Que Habito” trás locações altamente luxuosas e requintadas, que ajudam a reconstruir o passado e o presente do personagem perfeccionista de Banderas. Seja na mansão onde vive, ou no porão onde realiza suas experiências, a decoração minimalista permeia todos os ambientes, sempre muito bem fotografados. Um verdadeiro primor para quem se interessa e está sempre de olho na direção de arte.
Com quase 20 longas em sua filmografia, Pedro Almodóvar continua brilhando entre os melhores diretores de sua geração, e com “A Pele Que Habito”, comprova que ainda tem muito fôlego e originalidade pelo caminho. Vida longa ao cinema de arte!

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